As rodovias federais do Brasil possuem quase dois mil e quinhentos pontos vulneráveis à exploração sexual de crianças e adolescentes. Desse total, quase 500 são considerados críticos pela Polícia Rodoviária Federal. A corporação divulgou, nesta segunda-feira (14), a cartilha do projeto Mapear, que traz o levantamento dessas regiões nas estradas federais.
O Diretor geral substituto da PRF, Marcelo Moreno, explicou que o acompanhamento para esse tipo de situação é feito por uma rede integrada, entre união, estados e municípios.
Segundo a cartilha, a Região Nordeste lidera o ranking, com 644 pontos de risco. O Ceará é o que tem os piores índices: são 81 pontos, seguido de Goiás, Pará, Minas Gerais e Paraná.
Entre as rodovias federais, as BRs 116 e 101 têm mais pontos em que os direitos das crianças são vulneráveis, sobretudo devido às extensões, já que são estradas que cortam o país.
O principal desafio que a PRF aponta está no controle e fiscalização das rodovias estaduais. Para isso, a corporação sugere que elas passem a ser monitoradas com a mesma metodologia da PRF pelas Polícias Militares dos estados. A iniciativa também é proposta pelo Ministério dos Direitos Humanos, como explicou a secretária Nacional Dos Direitos Da Criança e do Adolescente, Berenice Maria Giannella.
Segundo a PRF, desde 2005, quase cinco mil crianças e adolescentes foram resgatados em situações de abuso ou exploração sexual nas rodovias federais. Os principais locais em que essa exploração ocorre são postos de combustível, bares, casas de shows e também em pontos de alimentação, hospedagens e comércios.
A cartilha Mapear ainda mostra que quase 60% dos pontos de risco estão em trechos que cortam as zonas urbanas.
A cartilha ainda explica que abuso sexual ocorre quando a criança ou adolescente é usado para satisfação sexual de adultos. Já a exploração sexual ocorre quando as vítimas são usadas, convencidas e coagidas a oferecer sexo em troca de dinheiro, favores ou presentes. Qualquer situação desse tipo em rodovias do país deve ser informada à PRF, pelo número 191, ou pelo telefone dos direitos humanos, o disque 100.
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