Saudações democráticas a todas as pessoas que pautam suas vidas pelo apreço à liberdade e resistem bravamente à opressão e à injustiça.
Nosso programa dedica esta edição de hoje a uma Maria que durante um longo período de sua vida dedicou-se a estudar de maneira obstinada a produção cultural brasileira sob a mão pesada da ditadura militar e da censura. Sob a obscuridade desses tempos de chumbo ela escreveu uma tese de doutorado, quatro livros e inúmeros artigos falando sobre a cultura como resistência e afirmação da juventude rebelde dos anos 60 .
Viva a revolucionária Heloisa Teixeira, que para muito além da imortalidade com que foi reconhecida pela Academia Brasileira de Letras foi uma uma das maiores pensadoras do feminismo brasileiro.
Aos 85 anos, após complicações de uma pneumonia e insuficiência respiratória aguda, Helô partiu rumo à eternidade deixando um legado que mais do que nunca no Brasil e hoje precisa ser revisitado para que o erros do passado não voltem a nos amedrontar como na madrugada de 31 de março de 1964, quando um golpe militar derrubou o presidente João Goulart e instituiu em nosso país uma ditadura sangrenta que destruiu vidas, desestruturou famílias e deixou sequelas irreparáveis na vida brasileira.
Em memória aos que pagaram com a vida a barbárie que por 21 anos fizeram do autoritarismo, da censura e da tortura práticas comuns de governo, queremos ouvir a socióloga Jacqueline Pitanguy que ao lado de Heloisa Teixeira durante o processo da Constituinte, lutou pelo fim das desigualdades entre homens e mulheres. Com a mesma disposição dos anos 90, hoje à frente da Cepia Cidadania ela continua fazendo da defesa da democracia o seu agir com com integridade, respeito e dignidade. Seja muito bem-vind.